Until The Last Moment




Capítulo 1
This is the end.


A separação era inevitável.
Todos os sinais estavam lá, tudo o que vimos acontecer com tantos casais ao nosso redor e que prometemos que nunca cometeríamos. Mais um de nossos juramentos que tinham sido quebrados. Éramos ingênuos, não sabíamos que algumas coisas não dependem de nós, que por mais que jurássemos que nunca faríamos algo, mais cedo ou mais tarde isso ia acontecer. O nosso relacionamento era feito de promessas esquecidas, desde o dia em que prometi que não entraria no quarto de hotel do Harry. Depois do primeiro beijo, eu jurei que não me deixaria envolver, e obviamente ignorei isso meses depois, quando ele  pediu-me em namoro. Anos depois eu quebrei outra promessa : Nunca me casar. Quando Harry pediu-me em casamento, eu nem hesitei, nem por um segundo pensei na minha promessa idiota. E no dia do nosso noivado, tínhamos prometido amarmo-nos para sempre. Será que ele não conseguia mais manter essa promessa? Porque eu com certeza ainda amava-o.
Nós namoramos à quase três anos, estávamos noivos há quase um ano, morávamos juntos há quase dois anos, o casamento seria apenas uma formalidade, já que eu já nos considerava casados. De qualquer modo, o nosso casamento era em quatro meses e eu já não sabia se realmente isso iria acontecer.
Eu sempre soube que nosso relacionamento não seria como o dos meus pais, primeiro porque meu pai não era um famoso. Segundo porque Harry passava meses longe de casa e nem sempre eu podia acompanhá-lo. Eu sabia de tudo isso, mas com o tempo, parece que as coisas passaram a tomar outro rumo. Logo quando começamos a namorar, prometemos que nunca ficaríamos mais do que uma semana sem nos vermos, que no sétimo dia um de nós voaria até o outro. Enfim, Harry voltou ontem para casa depois de um mês sem me ver. Um mês.
Levantei-me da cama, ele não estava lá. A minha camisola estava no chão, o sexo não era mais o mesmo. Suspirei e a vesti, caminhei lentamente até à casa de banho. A toalha molhada dele estava no chão e o vidro estava embaçiado, porque ele não tinha aberto a janela. Rolei os olhos e arrumei tudo antes de fazer a minha higiene.
Desci as escadas e Harry estava a tomar o pequeno almoço sozinho. Ele murmurou ‘bom dia’ e eu fiz o mesmo enquanto roubava alguns ovos com bacon do prato dele e colocava na minha torrada.
- Como estão os rapazes?
- Eles vêm almoçar aqui. – Ele não se deu ao trabalho de olhar para mim ao responder.
- Certo, devo preparar algo em especial, ou tens algo em mente?
- Eu vou fazer algo, não te preocupes.
- Harry – falei e esperei até que ele me olhasse para continuar – Está tudo bem? – Um breve silêncio se acumulou e eu ri  sarcasticamente – É claro que não está nada bem, é como se tu nem ligasses.
- Quem disse que eu não ligo? – O tom de voz dele era exatamente o de alguém que não liga e isso  irritava-me.
- Ah, então quer dizer que é normal tomares o pequeno almoço sozinho depois de ficares um mês sem ver a tua mulher?
- Eu só não quis acordar-te, só isso. – Ele não me olhava nos olhos.
Tudo aquilo me irritava e ainda não era nem onze da manhã.
Subi as escadas e decidi ligar para a Daniela, se Louis estava na cidade, a mulher dele também deveria estar por aqui.
- Daniela? Estás aqui em Londres?
- Claro! – Ela falou como se fosse muito óbvio. Daniela é uma atriz que participou  num videoclip dos One Direction anos atrás. Louis apaixonou-se  por ela assim que a viu gargalhar por algo idiota. Ficamos amigas porque Louis era tímido demais para convidá-la para um encontro, então eu e Harry íamos juntos e nos aproximamos assim. Ela é diferente do que eu achava depois de ler algumas revistas de fofocas. Ela e Louis casaram-se alguns meses depois, todos diziam que eles eram loucos e que não iam durar, pois bem, eles estavam juntos há três anos e pareciam firmes.
- Vens almoçar aqui então? – Falei com um sorriso parvo no rosto, finalmente alguém que eu podia falar sobre o Harry e tudo mais.
- Sim! Vamos tomar alguns shots, há muito tempo que não ficamos bêbadas juntas – Ela falou a rir, com a Daniela tudo era uma grande festa.
- Parece-me bem – Disse tentando sorrir. Desliguei o telemóvel e atirei-me de costas na cama. Será que essa era a melhor medida a se tomar?




Capítulo 2
We change, we wait.

Os rapazes estavam a beber e a rir em um canto enquanto Daniela e eu nos afastamos, fomos para a beira da piscina.
- O que passa ? Desde quando cheguei, notei que estás com uma cara estranha, está tudo bem?
- Não – Disse com um ar triste.
- O que aconteceu?
- Vou cancelar o casamento, não dá mais. – Disse em um único fôlego.
- O QUÊ? – Os rapazes olharam para nós e eu baixei a cabeça.
- Daniela, por favor, não dificultes as coisas. – Murmurei.
- Desculpa, é só porque... O que aconteceu?
- Ele anda estranho, não olha para mim do mesmo jeito, as coisas mudaram entre nós...
- Tens a certeza disso?
- Claro que não! Eu não quero cancelar meu casamento! Ele é o rapaz que eu achei que era o amor da minha vida, óbvio que eu não quero separar-me dele!
- Pensa nisso ok? – Daniela abraçou-me – Seja lá o que tu decidires, eu vou estar do teu lado sempre.

Estava a anoitecer, já estava deitada enquanto ouvia o Harry a cantar no banho. Lembrei-me de como costumava invadir os banhos dele com um sorriso no rosto. Olhei para o meu anel de noivado e lembrei-me do dia que ele fez-me o pedido. E lembrei-me das festas que nós costumávamos ir. Quando ia à casa de banho, eu ouvia algumas raparigas a fazerem comentários de como ele era bonito e que mal acreditavam estar na mesma festa que Harry, aquele rapaz lindo dos One Direction, enquanto mudavam sua maquilhagem, e elas ficavam sempre espantadas ao verem-me a sair. Eu apenas me ria, tudo o que elas diziam era verdade e a melhor parte : no fim da festa ele iria para casa comigo.



Capítulo 3

Time to go.

Duas semanas passaram-se desde que o Harry tinha voltado para casa. Todos os dias conversava com a Daniela sobre o assunto, cada vez mais decidida que o nosso casamento nunca seria de verdade, o que nós tínhamos tinha virado um relacionamento de amigos com benefícios. Harry não me olhava nem me tocava do mesmo jeito que antes. Teria de encarar a realidade, Harry estava distante..
Durante o jantar, estávamos há quase quinze minutos sem dizer uma só palavra, quando um nó apertado no meu peito fez-me abrir a boca várias vezes antes de finalmente dizer.
- Harry, não quero casar. – Disse, vendo os olhos do homem que eu mais amo no mundo olhando-me – Eu não aguento mais essa coisa estranha entre nós.
- Estás a falar assério? – Ele olhou para os lados, como se esperasse que a qualquer momento o Mickael Jackson surgisse de trás da porta a gritar ‘just beat it’ ou algo assim – Desde quando há algo estranho entre nós?
- Nós mudamos tanto, Harry – sentia-me idiota por estar a chorar. Em nenhum momento até ali havia chorado ao pensar em deixar Harry. Não porque eu não o amava, ou porque ficar sem ele não me doeria, era porque aquilo era o melhor a se fazer (Sim, Daniela também diz que sou muito racional e fria às vezes, mas eu sou do tipo que usa a cabeça antes, o coração depois) – Eu nem sei mais o que nós temos.
- Loira, eu só estou a recuperar da turnê, sabes que é cansativo.
- Tu nunca precisas-te de semanas para recuperar da turné, nunca precisas-te de semanas para olhar nos meus olhos enquanto conversamos, não tentes negar.
Ele não tentou. Levantei-me e fui para o quarto e ele nem ao menos tentou impedir-me. Eu já tinha feito uma pequena mala enquanto Harry estava na piscina com Liam e Niall. Peguei na mala juntamente com a minha bolsa e coloquei tudo no carro. Nem quando estava a sair da garagem, pronta para deixá-lo, Harry tentou impedir-me. Aliás, não duvido de que ele continuou a jantar como se nada tivesse acontecido.  Estacionei o carro mesmo em frente à casa da Daniela e do Louis, certamente eles iriam-me deixar permanecer por uns tempos em casa deles.
- Loira! Está tudo bem? – a cara de preocupação de Louis fez-me voltar a chorar – O que aconteceu?
- A Daniela está ai? – Funguei.
- Entra. – ele olhou para a mala – Ah, não me digas que..
Fiz que sim com a cabeça e logo os braços de Louis estavam ao meu redor. Eu sentia-me horrível por ir pedir abrigo a um dos melhores amigos do Harry, mas eu não tinha aonde ir. Logo Daniela estava ali e olhou-me com a mesma cara que o Louis.
- Podes ficar o tempo que for necessário. – Daniela disse abraçando-me – Queres comer alguma coisa? Precisas de algo?
- Não, obrigada , só quero ficar um pouco sozinha, pode ser?
- Claro. – Disse o Louis – Vou levar a tua mala lá para cima.



Capítulo 4
You left me.

[ Harry ]

Loira estava estranha há semanas, desde que eu cheguei ela está com uma cara diferente, será que ela sabe que há algo errado? Eu estou super cansado, é como se o mundo estivesse nas minhas costas. Passo o tempo a pensar em como resolver meus problemas, parece que quando tudo finalmente está certo para mim, algo vem tentar derrubar-me. Nem por um momento a minha cabeça estava livre, por mais que eu tentasse relaxar, só conseguia pensar naquilo. Eu estava decidido a dar um fim naquele assunto de uma vez por todas e simplesmente não consegui. Nós estávamos a jantar e tudo estava tão estranho. Eu queria perguntar o que estava errado, mas não queria acabar a discutir com ela, não agora, tinha acabado de voltar para casa. 
- Harry, não quero casar – Ela disse do nada e foi como levar um soco na barriga. Meus olhos saíram da lasanha e foram directos para os olhos dela. Era algum tipo de brincadeira? – Eu não aguento mais essa coisa estranha entre nós.
- Estás a falar assério? – eu olhei para os lados, aquilo tinha que ser uma brincadeira. Mickael Jackson deveria surgir de trás da porta a gritar ‘just beat it’ ou algo assim a qualquer momento – Desde quando há algo estranho entre nós? 
- Nós mudamos tanto, Harry. – ela começou a chorar. Eu raramente via Loira a chorar e isso matava-me. Eu odiava vê-la assim, ainda mais a saber que eu era a causa de tudo isso. – Eu nem sei mais o que nós temos. 
- Loira, eu só estou a recuperar da turnê, sabes que é cansativo. – Eu simplesmente não conseguia contar-lhe, eu sabia que ela iria me odiar para sempre. Eu não queria perder a minha mulher, não mesmo. 
- Tu nunca precisas-te de semanas para recuperares da turnê, nunca precisas-te de semanas para olhar nos meus olhos enquanto conversamos, não tentes negar. 
Eu não tentei, ela estava certa. Eu não dava à minha mulher a atenção que ela merecia. Eu simplesmente não me achava digno de tocá-la, não sem resolver tudo antes. Eu não sabia o que dizer, a ideia de perdê-la por conta de algo tão idiota me doía. Ela levantou-se e eu queria correr atrás dela e falar-lhe para ficar, mas minhas pernas não me obedeciam. Tudo o que eu pensava era: ‘ela não me ama mais e vai deixar-me e eu mereço isso’. Ouvi o barulho do carro, mas parecia tão distante, tão surreal. Como se fosse um sonho. Ou melhor um pesadelo. Levantei-me e corri, a garagem estava vazia. Corri até cá fora e vi o carro virar à esquina, continuei a correr o mais rápido que pude, mas só consegui ver o carro dela a entrar na rua do Louis. Esperava que ela ficasse lá, ao menos saberia que estava segura. 
Voltei para casa com um nó no peito e dificuldade para respirar, peguei no meu black berry, e mandei um SMS para o Louis:

‘Ela está ai, não está?’ 

Caminhava de um lado para o outro, à espera pela resposta. Minhas mãos não ficavam quietas e, consequentemente, o meu cabelo ficava despenteado.

‘Sim, ela vai ficar aqui. 
Dâ tempo ao tempo, tudo vai correr bem. 
Resolves-te aquilo? ‘

Suspirei. Louis estava certo, ele estava sempre certo. Eu tinha que resolver aquilo. Era tarde e eu deveria dormir, mas nada conseguiria relaxar-me. Fiquei na cama, a pensar que talvez eu estivesse a ignorar os sinais. Ou que talvez ela já tivesse descobrido tudo. 
Estávamos a cometer os mesmos erros de tantos outros casais ao nosso redor. Eu lembro-me que tinha-lhe prometido que não haveria segredos entre nós. 
Eu lembro-me de quando fazíamos promessas idiotas e planos para o futuro. Lembrei-me de como ela sempre arranjava uma maneira de ir ver-me durante as turnês, ou eu escapava no dia de folga, nem que fosse só pra passar algumas horas com ela na nossa cama. Ou quando ela tinha algum pesadelo e eu a acalmava a cantar-lhe alguma coisa até ter a certeza de que ela já estava a dormir (ou quando eu transformava músicas do 50 Cent em músicas de embalar até ela gargalhar). 
Talvez nós tenhamos feito alguma coisa errada em algum momento no nosso relacionamento, mas ele ainda era a coisa mais importante que eu tinha. Ela era a coisa mais importante que eu tinha. Uma coisa que meu pai sempre me disse, era que quando achamos alguma coisa que realmente vale a pena, temos de correr atrás dela se for preciso, não importa aonde isso nos leve. 
Não importa o quanto fosse preciso, eu estava disposto a correr.




Capítulo 5
Girls do what they want

Ficar na casa da Daniela e do Louis estava a começar a deixar-me mal. Não me entendam mal, eles são os meus melhores amigos e estão a ser incríveis comigo, mas ou eles eram um casal perfeito, que me lembrava de que o meu casamento tinha falhado, ou eles discutiam, por minha causa. Daniela, por ser mulher e minha amiga, continuava a impedir as visitas do Harry e dizia que quando eu quisesse vê-lo, iria ligar para ele, enquanto Louis dizia que Harry era seu amigo e se ele queria falar com a mulher dele (no caso, eu), Daniela não poderia impedir. 
Decidi que era hora de sair da casa dos dois e voltar para a casa dos meus pais por um tempo, só para por tudo no lugar. 
Eu ainda estava de férias do meu trabalho, e bom, aquele restaurante é meu, se eu resolver ficar mais alguns dias fora, ninguém poderá reclamar.

- Daniela, eu vou voltar para Portugal. 
- Como assim, Portugal? Tu amas Londres! 
- Eu sei, mas eu preciso colocar a minha cabeça de volta no lugar, não vou conseguir fazer isso aqui, a algumas ruas distante dele – O nome do Harry não era pronunciado por mim e nem por Daniela.
- Bf, sabes que podes ficar aqui o tempo que quiseres, certo? 
- Sim, sei, obrigada, mas está mesmo na hora de ir – Falei a sorrir –  sabes se os rapazes vão ter algum ensaio ou algo do gênero? 
- Sim, daqui a algumas horas.
- Ok, então quando o Louis sair daqui, eu vou para casa buscar algumas roupas e outras coisas que deixei para trás. 
- Quando pretendes ir? 
- Hoje mesmo, se for possível, vou comprar o meu bilhete de avião agora. 
- Não! Vais amanhã à tarde, hoje há uma festa com o elenco aqui em Londres, podes vir conosco – Ela referia-se ao elenco do novo filme dela, uma comédia romântica. 
- Não sei, não é cedo demais para sair a festejar por ai? 
– Tentei ser razoável. 
- Não. Vai ser divertido, tens que sair de casa um pouco. 
- Ok, mas se eu ficar chata demais, manda-me para casa – Disse a rir. 
- Combinado, vem, eu tenho uns vestidos lindos, tenho a certeza que um deles vai ficar perfeito em ti. 
Nós subimos para o closet dela e ficamos a experimentar os vestidos até Louis aparecer para avisar que estava a ir para o ensaio. Ele e Daniela se despediram, cheios de beijinhos e carinhos, o que me deixou levemente enjoada, eles eram fofos demais para o meu próprio bem. Acho que a Daniela notou meu desconforto e disse que ia acompanhar o Louis até a garagem.
Quando ela voltou, eu disse que iria a casa buscar algumas coisas e ela ofereceu-se para ajudar-me. 
Assim que chegámos, subimos para o quarto que eu costumava dividir com o Harry.  
Tentei não pensar no que Harry tinha feito desde quando saí de casa, abri o armário e comecei a colocar as minhas roupas numa mala. 

Horas mais tarde, estávamos de volta, a prepararmo-nos para a tal festa. Louis chegou e eu sabia logo que Harry estaria em casa e saberia que eu tinha passado por lá. 
- Acabei de voltar da tua casa, Loira. 
- Hum – Eu murmurei de volta, enquanto Daniela passava rímel nos meus olhos. 
- Foste lá hoje, não fos-te? 
- Sim... Vou voltar para Portugal. 
- Eu sei... nem ao menos vais falar com o Harry? 
- Vou, eu só preciso de mais um tempo sabes, por tudo no lugar. 
- Certo – Ele afirmou que sim com a cabeça – E aonde vocês vão? 
- Festa do elenco, eu falei-te ontem e tu fizes-te uma careta e disses-te que não querias ir – Daniela disse a rir-se. 
- Ah, certo – Disse o Louis – Aquele tal de Taylor Lautner vai estar lá? 
- Como assim tal de Taylor Lautner? – Daniela passou os braços pelo pescoço do Louis.
- Eu só estou a fingir ser um marido ciumento, sabes? – Ele riu-se enquanto beijava-a.
- Parvo, sabes que isso não é necessário, certo? 
- Certo, vocês querem boleia? Posso levar-vos e ir  buscar-vos.
- Porque não fazes uma noite de poker com os rapazes? 
- Tu és demais– Ele beijou-a – Vou ligar para os rapazes, não saiam sem avisar-me.

Daniela despediu-se do marido e nós as duas entramos no carro dela e fomos para a discoteca. 
A entrada estava cheia de paparazzi, os flashes cegavam-me, mas a Daniela já estava acostumada com isso, caminhava com confiança e deixava-me bem perto dela. 
- Deixaram os meninos em casa hoje, meninas? – Perguntou um dos paparazzi. 
- Girls do what they want! – Ela respondeu, rindo-se. 
Finalmente conseguimos entrar. O lugar era super fixe, eu já tinha estado lá algumas vezes. Logo,  ela encontrou a mesa onde os outros membros do elenco estavam. O elenco tinha vários atores e atrizes espetaculares, e o público e a crítica aguardavam ansiosamente o lançamento do filme, que aconteceria em alguns meses, mas eu poderia esquecer tudo isso e só lembrar-me que o Taylor Lautner estava ali, a rir-se para mim. Talvez porque eu estava a encara-lo desde que cheguei? Enfim, detalhes desnecessários, o facto era que ele estava a sorrir para mim. Preparei-me para abrir um sorriso e divertir-me um pouco naquela noite. 
Cumprimentei toda a gente, já os conhecia de outras ocasiões. 
Começou a tocar uma música do David Guetta e eu simplesmente tinha que ir dançar. Daniela tinha ido até o bar conseguir alguma bebida para nós então decidi ir para a pista sozinha. Comecei a andar pelas pessoas até conseguir um local em que não fosse completamente esmagada por estranhos e comecei a dançar. Taylor surgiu do nada e dançou comigo, era como se fossemos velhos amigos, ele não era muito bom e fazia passos engraçados e pedia-me para copiá-los. Eu só ria-me com ele, há algum tempo que não me divertia tanto. 
Não sei quanto tempo ficamos a dançar, mas foi o suficiente para ele suar e para os meus pés pedirem por algum descanso daqueles sapatos de tacão alto. 
- Preciso de beber algo – disse em seu ouvido. 
- Certo – Ele acenou com a cabeça e pegou-me pela mão, guiando-me para fora daquele mar de pessoas que ainda dançavam animadamente. 
Chegamos à mesa e a Daniela estava lá a conversar animadamente com alguns de seus colegas de trabalho. 
- Loira! – Disse a Daniela, alegre.
- Vamos beber uns shots? – Sugeri com um sorriso maroto no rosto.
Ela achou a ideia maravilhosa e lá fomos nós para o bar. 
Eu sentia-me óptima, feliz, depois de algum tempo sem me sentir assim.
Horas depois, decidimos que era hora de ir. Essa parte não é muito clara pra mim, mas enfim, entramos no carro da Daniela, ambas bêbadas demais para conduzir, e ficámos sentadas a rirmo-nos. 
Um dos seguranças do local, e amigo da Daniela de longa data, levou-nos de volta para casa. 
Entramos na casa dela aos empurrões. 
- Shiu –Disse a Daniela, com o indicador sobre os lábios – Queres acordar o Louis? 
- Não – Disse a rir-me  – Claro que não. 
- Eu estou acordado – A voz dele encheu a sala e nós olhamos para ele ali, parado – Anda Daniela, vamos tomar um banho e depois dormir? –Disse o Louis a rir-se.
- Não, não quero banho – Ela resmungou enquanto eles iam a subir as escadas. 
Eu fiquei a olhar a cena e ouvi vozes vindas da cozinha. Caminhei até lá e vi a mesa de poker toda preparada.
- Loira! Queres entrar no lugar do Louis? – Perguntou-me o Liam. 
Gelei. Não pela possibilidade de entrar no lugar do Louis. Eu era melhor no poker do que eles todos, mas eu gelei porque o meu futuro ex-quase-marido estava bem ali. E estava a olhar-me com uma cara de reprovação. Eu olhei para ele como se não me importasse com o que ele pensava de mim, o que era uma grande mentira.
-Tenho de ir dormir, boa noite,rapazes. 
Saí sem esperar ouvir respostas, subi as escadas o mais rápido que pude e deitei-me na cama, adormeci instantaneamente.



 


Capítulo 6
Kiss and sell

Na manhã seguinte, juntei-me à Daniela e ao Louis no pequeno almoço.
- Olha amor, eles disseram que eu estava fabulosa ontem. – Daniela olhava sempre para as notícias que a envolviam durante a manhã, no seu iPad.
- Bom dia – Disse sonolenta.
- Bom dia –Disse a Daniela a sorrir. 


- Bom dia! Tudo bem? – Louis perguntou – Ressaca?

- Um pouco de dores de cabeça, mas acho que não é por causa da bebida – Falei com um sorriso fraco.
- O Louis falou-me que o Harry estava aqui quando nós chegamos, vocês conversaram?
- Não. Ele só ficou a olhar para mim com aquela cara de decepção ou algo assim.
- Ele não está decepcionado, ele está chateado. – Louis entrou em defesa do amigo –Tu estás prestes a sair da cidade, a sair da vida dele.
- Não está a ser fácil para mim também, Louis , mas ele parece nem se importar.
- Desculpa bf, mas depois disto, vai ser difícil ele achar que ainda te importas. – Ela estendeu o iPad, mostrando-me algum site de fofocas.


‘Noiva de Harry Styles é vista em clima de romance com Taylor Lautner. Cansada de músicos?’


Uma foto minha e do Taylor de mãos dadas.


 - Ele só estava a levar-me de volta para a mesa. De qualquer forma, o meu voo para Portugal é em algumas horas, não vou- me preocupar com isso agora.

- Já avisas-te os teus pais que vais voltar para Portugal? – Louis perguntou-me.
- Sim, eles vão- me buscar ao aeroporto.
- Ok, queres que te leve? – Daniela pronunciou-se. – Posso deixar o teu carro aqui na nossa garagem ou levar para a casa do Harry, é o que tu achares melhor.
- Pode ser o que achares mais fácil. – Falei agradecida, não tinha pensado no que fazer com o carro, não tinha pensando em nada para dizer a verdade, fazer as coisas impulsivamente parecia melhor.

Horas depois, estava no avião, a olhar pela janela, Londres, a cidade que eu escolhi para viver com o meu futuro marido, ficar minúscula, bem como as oportunidades de me casar em três meses e duas semanas. Fechei os olhos, pensei em todos os lugares que tinha de ligar e cancelar, todas as pessoas que eu deveria avisar, como eu teria coragem de encarar todas aquelas pessoas de novo? 
Minha mão foi automaticamente para o meu dedo anelar, e o vazio causado pela falta do meu anel de noivado deixava-me ainda pior.

Três horas depois, a voz da aeromoça tirou-me dos meus pensamentos,já estava em Portugal. Assim que pisei o pátio do aeroporto, senti o cheiro da minha cidade, foi algo indescritível. Fui para a área de desembarque para esperar as minhas malas chegarem. Depois de alguns minutos de espera, elas começaram a aparecer na esteira. Com alguma dificuldade finalmente avistei a minha segunda mala e esperava ela chegar mais perto de mim, quando vi um rapaz a pegá-la alguns metros antes de mim.
Ele acha que vai roubar a minha mala? Empurrei meu carrinho até ele e fiz a minha cara mais séria.
- Hey, essa mala é minha. – Eu disse, não estava a tentar acusá-lo de nada, mas ao mesmo tempo sem deixar dúvidas.
- Acho que não, podes ler aqui – Ele tinha um tom meio orgulhoso. Pegou o identificador da mala (que nesse momento eu já não tinha a certeza se era mesmo minha) – Jessica.
- Então a menos que tenhas o mesmo nome que eu, isso quer dizer que essa mala é minha. – Disse sorrindo enquanto via-o corar.
- Isso seria uma coincidência bizarra, não achas? – Ele colocou a minha mala no meu carrinho – Só um instante –  Ele disse antes de tirar a própria mala da esteira (a certa agora) e verificar o nome dele no identificador –Rafael, agora sim, desculpa por isso. – Ele coçou os cabelos castanhos e voltou a corar levemente. Rafael pôs a sua mala no meu carrinho também e começou a empurrá-lo.
- Ah, obrigada – disse, acompanhando-o até ao corredor de desembarque.
- É o mínimo que posso fazer depois de quase roubar a tua mala. – Ele disse –Talvez te possa pagar um café?
- Porque é que eu acho que não é a primeira vez que fazes isso? – Disse sorrindo para ele, que logo se riu.
-Então, és de Portugal ou estás apenas a visitar? – Notei que ele não respondeu à minha pergunta.
- Sou daqui, mas moro em Londres há alguns anos. – Disse enquanto mergulhávamos na confusão de pessoas.
- Queres tomar qualquer coisa?
- Os meus pais vieram- me buscar, então acho que não vai dar. Aliás, tenho que ir – Estávamos próximos do lugar onde tínhamos combinado de encontrar-nos.
- Ah, certo – Ele tirou a mala dele do meu carrinho - Se estiveres pela área do Porto, passa pela La Movida, eu estou lá toda a noite, assim pago-te um shot.
- Hum, certo – disse sorrindo – Bem, foi um prazer,Rafael.
- Rafa– Ele disse sorrindo – Também foi um prazer, Jessica.

Assim que me deitei na minha cama, era como se eu ainda fosse aquela adolescente que estava- se a preparar para mais um dia de shopping com as amigas. Amigas, tinha de ligar para a Ana, ver como ela estava.
Peguei no meu telemóvel e liguei para ela, combinamos que ela viria para minha casa imediatamente, para colocarmos a conversa em dia. Ela já sabia que eu tinha cancelado o casamento e tudo mais, mas não tinha dado nenhum detalhe nem nada do tipo.Era tão engraçada a diferença de vidas que eu levava em Londres e em Portugal. Aqui eu era mais uma rapariga, cheia de sonhos a correr atrás do que queria e a minha melhor amiga era da agência imobiliária enquanto que em Londres eu era a mesma rapariga, mas com um fotógrafo a correr atrás de mim, com meninas a pedir-me fotos [só porque eu era noiva do Harry] e a minha melhor amiga era uma actriz de Hollywood. A calma de estar em casa fazia-me bem, era dela que eu precisava naquele momento.




Capítulo 7
Colour

Estava em Portugal há uma semana, saía com a Ana e tentava pôr as coisas no lugar na minha cabeça, não que fosse fácil.

Estava na minha cama, a olhar para a marca que o meu anel tinha deixado no meu dedo quando o meu pai bateu à porta.
- Filha?
- Podes entrar, pai – Não entendia o comportamento do meu pai, normalmente ele abriria a porta ou só gritaria ‘o jantar está pronto!’, mas assim que a porta abriu-se, eu entendi porquê. Harry estava ali. Durante todo aquele tempo em Portugal, eu imaginava como seria vê-lo quando voltasse para Londres. Se ele estaria acabado, se ele me pederia para voltar, se ele estaria com outra mulher, se ele nem queria saber mais de mim, ou se ele negaria em ver-me, mas nunca, nem por um momento, o imaginei na minha porta.
Ele estava exatamente como eu me lembrava dele. Exatamente como o meu Harry era. Lindo. Suspirei e ajeitei-me na cama.
- Tudo bem pai, podes deixar – Disse ao notar que o meu pai não pretendia nos deixar a sós.
- Certo, qualquer coisa, é só chamar – Disse olhando de mim para o Harry.
- Queres-te sentar? – Eu disse para o Harry no momento em que o meu pai fechou a porta.
- Não, na verdade queria saber se queres sair, conversar  noutro lugar – Disse quase a sussurar, a voz dele ainda me causava arrepios.
- Claro, deixa-me só trocar de t-shirt.
- Ok, espero por ti lá fora.
Harry levou-me para um café que nós costumávamos frequentar na época em que namorávamos. Sentamos-nos à mesa habitual, mais no fundo e ele olhava-me como se quissesse ver se tinha perdido alguma mudança nestas três semanas de separação.
- Continuas óptima.
- Obrigada, também estás muito bem – Disse, tentando sorrir.
Em nenhum momento ele falou algo sobre a separação e eu também não disse nada. Éramos como bons amigos a conversar.  De repente um empregado indicou-nos que o café iria fechar pois já eram três da manhã.
- Nós podíamos ir para o meu hotel –Disse o Harry, enquanto caminhávamos até a um táxi – Só para conversar...
- Eu não sei se é uma boa ideia, Harry.
- Eu não te vou atacar, nem nada disso, se é o esse o teu medo. – Ele disse, sem saber que o meu maior medo era de ser eu a atacá-lo e não ao contrário.
- Vamos – Disse enfim, entrando no táxi.
Assim que entrei no quarto dele, arrependi-me por tê-lo feito. Fui buscar dois copos de sumo, um para mim e outro para ele. Tive um ligeiro déjà vu, mas ignorei. Ao entregar-lhe o copo, as nossas mãos tocaram-se por um único segundo, de repente deparei-me com o meu corpo contra o corpo dele e os nossos lábios mostravam que ainda conheciam o ritmo um do outro.
Tudo parecia tão certo, a mão do harry no meu corpo, o suor de nossos corpos dificultou o despir das nossas roupas. Ele deitou-me calmamente na cama. Tudo foi incrível, era como se os nossos corpos mostrassem que nós éramos feitos um para o outro.

Acordei na manhã seguinte, achei que talvez eu e o Harry pudéssemos resolver tudo, que talvez eu não precisasse de acabar com o meu casamento, que talvez ainda não fosse a hora de ligar para a florista e cancelar tudo. 
Abri os olhos e o Harry não estava na cama, preparei-me para invadir o seu banho, mas não estava ninguém no duche.
Não estava ninguém para além de mim naquele quarto de hotel. 
O telefone do quarto tocou e acabei por atender :

- Menina Styles? O seu marido pediu-me para que eu ligasse às dez da manhã. O pequeno almoço vai ser entrege agora.

- Está bem – Disse, ainda sem entender direito tudo aquilo – O Harry deixou algum recado? – Perguntei. Senti-me estúpida a fazer aquela pergunta.

- Não.
- Ok – Disse ao ouvir batidas na porta – Acho que é o serviço de quartos, obrigada.
- Tenha o resto de um bom dia – Respondeu.
Eu desliguei e abri a porta para o rapaz que empurrava um carrinho cheio de coisas deliciosas. Que pena, a minha fome tinha desaparecido, tal e qual o que aconteceu com o Harry.
Quando voltei para a cama, reparei que estava um bilhete na mesa.

‘Loira, desculpa-me por não ter ficado aqui até acordares. 
Tenho um assunto para resolver em Las Vegas. 
Voltarei para o lanche.
P.S : Será que há alguma oportunidade de voltares a usar isto?’

Em cima, estava o meu anel de noivado.

Quando eu achava que tudo finalmente estava a tomar o caminho certo, tinha de haver um desvio. Que assunto era esse que era mais importante do que o nosso relacionamento? Então eu continuava a ser uma segunda opção para ele? Ele iria continuar a deixar-me quando aquele assunto misterioso aparecesse?

Vesti as minhas roupas e coloquei o meu anel de noivado dentro do meu bolso. Se o Harry achava que tudo isto seria mais fácil, estava enganado. 
Eu queria que o nosso relacionamento desse certo, mas não desta maneira.



Capítulo 8
Come back around

[ Harry ]

(Uma semana atrás)

Loira estava na casa da Daniela e do Louis à duas semanas. Eu tinha parado de tentar falar com ela porque Louis disse que sempre que eu fazia isso, ele e a Daniela acabavam a discutir e eu não suportaria ver mais um casal a discutir por minha causa. Ficava a trocar SMS com o Louis e ele mantinha-me informado sobre como ela estava.
Durante um dos nossos ensaios, ele disse-me que ela estava decidida a voltar para Portugal. Eu simplesmente não sabia o que fazer, parecia que as coisas estavam a ficar fora do meu controlo. Eu só sabia que não podia deixar-la ir.
- Já resolves-te aquele assunto? – Louis lembrou-me do que eu não conseguia esquecer.
- Claro que não, se já tivesse resolvido, a Jessica estaria comigo agora.  – Disse já sem paciência.
- Sabes que não podes adiar mais isso, resolve essa coisa logo ou conta a verdade para ela, não podes ficar a enrolar a rapariga por mais tempo.
- Eu não consigo dizer-lhe antes de resolver as coisas.
- Bem, tu é que sabes. Tu é que vais ficar a perder..
Horas depois, nós já tínhamos dado o ensaio como acabado, visto que eu não me conseguia concentrar. Errei os tempos, a ordem das coisas e até as letras.
- Ok, rapazes, vamos tentar outra vez para a semana – Disse o Niall.
- Hey, dás-me boleia? – Perguntei ao Louis – Eu vim a pé mas estou cançado demais para voltar.
- Claro – Respondeu o Louis.

Eu tinha chamado o Louis para entrar e ele contava-me como a Loira parecia confusa e que tinha de contar a verdade. Sem dizer nada subi as escadas a correr e ele veio logo atrás de mim. Abri uma das gavetas da Jessica e elas estavam quase vazias. Eu sabia, ela tinha estado ali.

- O que se passa? – Louis não me entendia.
- Ela veio aqui – No meio da minha confusão de papéis e coisas, eu podia sentir que ela tinha estado ali. Os meus olhos foram diretamente para o envelope que estava na mesinha ao lado da minha cama. Eu implorava para que ela não tivesse aberto aquele envelope.
- O que é isso? – Louis perguntou enquanto eu verifica o conteúdo do envelope.
- O que está dentro daquele envelope, é tudo.. – Eu respondi e ele entendeu logo.
- Tu realmente tens de resolver a tua vida, Harry. Eu vou para casa, saber se ela chegou a ver isso, não te preocupes, eu deixo-te informado.
- Obrigado – Disse, deitando-me na cama. Louis saberia encontrar o caminho até à porta sosinho.
Cerca de vinte minutos depois, Louis ligou-me, disse que ela aparentemente não tinha visto o envelope. Ela ia mesmo para Portugal no dia seguinte e hoje ia para uma festa com a Daniela. Eu lembrei-me de nós sairmos e alguns rapazes ficavam a olhar para ela e eu só sorria e passava o braço pela cintura dela, por mais que eles olhassem, era comigo que ela iria para casa.
- Queres vir para cá? Os rapazes estão a vir para jogar poker.
- Tens a certeza que é uma boa ideia?
- Sim, é ideia da Daniela, por isso acho que não há problema.
- Ok, vou tomar um duche e já vou, com todo este azar no amor, é melhor prepararem as vossas carteiras.
Então ela estava a sair com a Daniela. Será que não me amava mais? Eu precisava vêla, ela iria deixar a cidade no dia seguinte. Como ela conseguia deixar-me assim tão facilmente?
Quinze minutos mais tarde, já estava na rua do Louis. O carro da Jessica ainda estava lá, mas o da Daniela não, devia ser seguro entrar.
Quando cheguei já todos estavam lá.
Eu tentava jogar, mas tudo o que pensava era como Jessica estava e se ela estava a divertir-se, se ela estava com alguém, se ela estava a beber muito, se alguém ia tomar conta dela, se esse alguém era um rapaz de sonho, se ela viria dormir em casa.
Horas depois, estava decidido que não esperaria que ela voltasse, eram quase cinco da manhã e eu já tinha bebido todos os energéticos que haviam naquela casa.
Niall e Zayn já tinham voltado para as suas casas e eu estava a preparar-me para fazer o mesmo, quando ouvi o baralho da porta a bater.
As vozes e as risadas vindas da sala indicavam que elas tinham chegado. Não havia nada que eu pudesse fazer, a não ser implorar para elas subirem as escadas.
- É melhor eu ir levar a minha menina para a cama, o último a sair que bata a porta – Disse o Louis, atirando as cartas para a mesa. Eu teria ganho mais esta rodada mas a sua mulher era mais importante do que uma partida de poker.
- Ele ama mesma a Daniela – Disse o Liam – E eu amo este jogo.
- Fala baixo – Disse, mas já era tarde demais, ela estava ali.
Ela olhou-nos e caminhou elegantemente até mais perto, e de repente parou, como se naquele instante se lembrasse da minha existência.
- Loira! Queres entrar no lugar do Louis? – Liam perguntou-lhe naturalmente.
Eu gelei. Não pela possibilidade dela entrar no lugar do Louis e começar aquele seu discurso que era melhor de que todos nós e eu ter que começar a perder de próposito só para deixá-la feliz. Eu gelei porque não estava pronto para vê-la, não assim. Aquele vestido valorizava os seus peitos, a parte do seu corpo que eu mais amava. Ela estava com um ar alegre, provavelmente por causa da bebida. Eu olhava-a e pensava que tudo aquilo já foi meu, e ia para minha casa depois das festas e agora ela não me queria mais.
- Vou dormir, boa noite rapazes.
- Boa noite – Eu e o Liam dissemos para o nada, já que ela não tinha esperado por uma resposta.
Fui para casa, e nunca a minha cama pareceu-me tão grande e vazia. O sono custou a vir e assim que adormeci o meu telemóvel tocou.
Abri os meus olhos com dificuldade, a luz que entrava no quarto quase que me cegava. Quando finalmente acostumei-me aquela claridade vinda apenas do telemóvel, olhei para o visor :
‘- Já visto isto? ‘

Era uma SMS vinda diretamente da fonte dos meus problemas, Viviana.
A imagem que ela me mandara mostrava uma revista de fofocas.

‘Noiva de Harry Styles é vista em clima de romance com Taylor Lautner.

Cansada de músicos?’


Uma foto da Jessica e do tal Taylor de mãos dadas. Então ela não se importava mais comigo? Bem, ela estava prestes a ir para Portugal certo? Quem sabe eu ainda tenha alguma oportunidade.
Horas depois, ouvi uma buzina familiar na frenta da minha casa. Olhei pela janela e era ela, parada com o seu carro. Saí a correr até chegar até ela. Quando me aproximei reparei que era Daniela, que saíu do carro e passou-me as chaves.
- Fui levar a Loira ao aeroporto e ela pediu-me para deixar o carro aqui.
- Ah, obrigado. Queres que te deixe em casa?
- Eu prefiro andar – Se conhecesse o Louis ela já deveria saber a verdade e deveria odiar-me por isso.
- Olha Daniela...
- Harry, nem tentes ok? Eu sei de tudo e não me perguntes o porquê de eu ainda não lhe ter contado. Estás a ser extramemente um idiota por deixares isto tudo acontecer e mais idiota ainda por não resolveres as coisas de uma vez por todas. Eu queria mesmo muite bater-te sabes?
- Ok, afinal eu mereço – Disse envergonhado.
- Mas apesar de tudo eu tenho muito respeito por ti – Ela abraçou-me – Resolve as coisas é que já pedi para fazerem o meu vestido de madrinha.
- Está bem – Disse a sorrir. Ela deu-me um soco no ombro e começou a caminhar para casa.
Assim que ela saíu da minha vista, reparei que estava sosinho e que só eu poderia resolver isto.

Uma semana desde que a Loira voltou para Portugal e as coisas pareciam que estavam a melhorar para mim. Liam ia me levar ao aeroporto, eu ia para Las Vegas resolver tudo e depois iria para Portugal.
- Obrigado por me emprestares o carro – Disse o Liam – Assim que o meu voltar da oficina eu devolvo-te.
- Que não tenha nem um arranhão. – Disse a rir-me.
- Vou fazer os possíveis – Disse o Liam, a rir-se também.
- Não é o anel da Jessica? – Liam tinha acabado de mostrar-me o anel de noivado dela.
Isso mesmo. O anel de noivado, o símbolo do nosso compromisso, que estava num sítio qualquer no carro dela.
- Tu deverias devolver-lhe – Liam encorajou-me.
- E é o que vou fazer .
- Boa sorte

Decidi primeiro ir a Portugal. Quando cheguei apanhei um táxi para um hotel. Tomei banho e troquei de roupa. Eu lembrava-me da morada da Loira, mas não sabia bem o que fazer quando chegasse lá. Coloquei o anel no meu bolso esperava a oportunidade de devolvê-lo e que o pai dela não me recebesse com uma espingarda na mão.
Assim que o táxi parou em frente da casa dela, era como se eu fosse aquele rapaz que achava que o mundo era pequeno para ele, naquele tempo em que achava que era imortal e que nada poderia-me atingir, exceto a Jessica. Ela ainda era o meu ponto fraco, ela ainda era quem fazia os meus joelhos vacilarem.
Toquei à campainha e rezava para que quem abrisse a porta fosse a Jessica mas foi o pai dela quem o fez.
- O que queres daqui ? – Disse o pai dela, e eu preferia que ele estivesse com uma espingarda.
- Eu só quero conversar com ela, se ela não quiser falar comigo eu vou embora.
- Hum, vamos, se ela não quiser receber-te, não voltas sem seres convidado ok?
- Ok – Assenti.
 - Filha? – Ele bateu à porta do quarto dela.



- Podes entrar, pai – Ela respondeu e o pai dela abriu a porta. Lá estava ela. Exactamente como eu me lembrava dela. Linda. Quase um mês de distância, mas pareciam anos. Suspirei enquando ela se ajeitava na cama.
- Tudo bem pai, podes deixar – Disse ela para o pai, que continuava com a mão na maçaneta.
- Está bem, qualquer coisa, é só chamares – Disse ele, olhando dela para mim.
- Queres sentar-te? – Ela perguntou e eu achei tudo aquilo muito estranho, ela tratava-me de um jeito esquisito, como se nunca tivéssemos sido mais do que bons amigos.
- Não, queria era saber se queres sair, conversar noutro lugar – Falei baixo, receoso que o seu pai estivesse a ouvir colado à porta.
- Claro, deixa-me só trocar de t-shirt – Eu queria dizer-lhe que não era preciso, que ela estava linda e ela tinha de voltar para mim, mas tudo o que saiú foi ‘ok, eu espero por ti lá fora’.
O único lugar que eu sabia ir sem me perder por Portugal era a casa da Loira. E de lá eu sabia ir até a um café que nós costumávamos frequentar na época de namoro. Sentamo-nos na mesa habitual, mais no funfo, e eu olhava-a como se quisesse saber se tinha perdido alguma mudança nessas três semanas de separação.
- Continuas óptima – Disse. Queria dizer que ela estava óptima sem mim, mas eu era nada sem ela e que precisava dela e que tínhamos que resolver tudo.
- Obrigada, tu também estás muito bem – Disse, e todo o meu discurso foi-se por água abaixo.
Em nenhum momento ela disse algo sobre a separação ou Taylor, William, seja lá qual era o nome dele e eu também não disse nada. Éramos como bons amigos a conversar. Em nada parecíamos um casal que passou meses a planear o resto das suas vidas juntos e que simplesmente tinham deixado isso para trás. Um empregado do café indicou-nos que eram três da manhã e que eles estavam prontos para fechar.
- Nós podíamos ir para o meu hotel.. – Disse, enquanto caminhávamos até a um táxi. Não queria ter de me separar dela. – Só para conversar..
- Eu não sei se é boa ideia, Harry.
- Eu não te vou atacar, nem nada disso, se é esse o teu medo – Disse sem saber se poderia fazê-lo ou não.
- Vamos.

Assim que entramos no quarto, arrependi-me por ter prometido que não a agarraria. Estava difícil controlar-me, ainda mais a vê-la com aquele decote.
Ela caminhou da maneira mais sexy até ao frigorífico e encheu dois copos com sumo e ao entregar-me um copo as nossas mãos tocaram-se por um único segundo, mas foi como se algo pulasse dentro de mim, eu simplesmente não conseguia mais controlar-me, eu precisava do corpo dela no meu e foi isso que fiz. Puxeia contra mim e senti seu corpo nos meus braços. 
O meu corpo estava a gritar pelo dela, o que me fazia atrapalhar na hora de despi-la, e finalmente ela era minha novamente. Não queria que aquele momento acabasse.

Acordei na manhã seguinte com um sorriso no rosto ao ver a minha mulher deitada ao meu lado, Queria ficar com ela para sempre, mas não podia, ainda não. Tomei banho e arrumei as minhas coisas. Olhei para ela uma ultima vez e quase desisti de ir, mas sabia que se queria ficar com ela teria de resolver as coisas. Escrevi um bilhete e deixei o seu anel de noivado sobre a mesa. Beijei-a delicadamente e saí.
- Bom dia, a minha mulher está lá em cima – Disse para a recepcionista – Será que pode ligar-lhe às dez da manhã? E mande o pequeno almoço para o quarto, ok?
- Sim, senhor .
Corri até ao aeroporto e comprei o meu bilhete para Las Vegas.
Em algumas horas estaria de volta para a minha mulher e todos os meus problemas estariam resolvidos. Pelo menos, assim esperava.




Capítulo 9 
Darcy

O meu telemóvel tinha tocado diversas vezes sem conta, mas eu estava decidida a não atender o Harry. Ele finalmente decidiu mandar-me uma SMS  eu não resisti ao impulso de ler.

‘Certo Jessica, eu já não entendo nada, achava que a noite de ontem tinha corrido bem. Enfim, eu estou a tentar explicar-te o que aconteceu comigo nestes últimos tempos. 
Será que me dás uma última oportunidade?’

Eu amava-o e é óbvio que daria mais uma oportunidade ao nosso relacionamento, desde que me explicasse o que acontecera nestas últimas semanas. Respondi à sms e ele pediu-me para que eu fosse ter com ele ao hotel.
Cheguei ao quarto dele e uma menina loira estava a maquilhá-lo.
- Jessica! – Disse surpreso, a tentar tirar o batom da boca, mas acabou por fazer pior.
- Esta é a Darcy – Disse, pegando a menina ao colo.  – É minha filha.
Imediatamente tive uma grande vontade de dar-lhe um estalo, mas seria traumatizante para a criança.
- Eu posso explicar – Ele fez uma pausa, mas continuou – A verdade é que alguns anos atrás, antes de entrares na minha vida, eu conheci a Viviana. Conheci-a numa discoteca em Las Vegas, estávamos bêbedos e acabou por acontecer aquilo que tu sabes. Há três meses eu conhecia a Darcy, que a Viviana diz que é minha filha.
- O quê? – Perdi o fôlego. - Porque é que não me contas-te antes?
- Bem, eu achava que o que aconteceu em Vegas ficava em Vegas, nem sequer sabia que tinha engravidado uma stripper.
- A mãe dela é uma stripper?
- Sim.
Eu juro que tentei ficar chateada com ele, porque afinal, ele não me contou que era pai. Mas de uma maneira estranha, não conseguia.
- Hoje saiu o resultado do teste de ADN. Loira, eu não sabia de nada. Ela veio- me procurar à três meses atrás e contou-me tudo, eu estou a tentar resolver tudo desde então.
- Hum..
- Não estás chateada?
- Claro que estou, não estava à espera de uma coisa destas – Disse.
- Estou com fome, pai – A pequena Darcy manifestou-se.
- É com ela que estou todos os meus dias de folga, é nela que eu tenho pensado ultimamente, então desculpa por deixar-te de lado, mas esta princesinha precisava de um pouco de amor – Disse o Harry, dando um pouco de cerelac à Darcy. 

Eu não sabia o que dizer, estava completamente frustrada com toda esta situação.



- Eu só quero que nós continuemos juntos, quero que nos casemos e que tudo dê certo entre nós, mas não posso abandonar a Darcy. Ela não tem nada a ver com isto e a Viviana trata-lhe como se fosse um cartão de crédito. Eu quero reconhecer a Darcy como minha e pedir a guarda total dela. Eu não vou deixar a minha pequena Darcy nas mãos da Viviana. – Disse o Harry.
- Harry, querendo ou não, ela é a mãe dela, não podes afastá-las assim, ela precisa de uma mãe.
- Acredita, a Viviana não vai ligar, ela só me procurou para falar da existência da Darcy porque foi contratada para trabalhar num casino em um cruzeiro e não aceitam crianças lá – Ele olhou para aDarcy e depois para mim – Tu serias uma mãe bem melhor.
- Harry...
- Eu sei, é mais do que eu posso pedir-te para aceitares, voltar para Londres, voltares para mim a abrir espaço para uma criança, eu sei que é demais, mas eu sei a quantidade de amor que tens aí dentro.
Eu não sabia o que fazer, tudo parecia tão surreal. Coloquei o anel na mesa onde o Harry tinha deixado de manhã.
- Preciso de um tempo para pensar, Harry, são demasiadas coisas para assimilar.
- Ok, eu tenho que ficar até ao fim da  semana para esperar que saía o resultado do pedido de guarda, então se quiseres conversar, sabes onde me encontrar – Disse o Harry a sorrir – Quer dizer, onde nos encontrar.
- Está bem – Disse afirmativamente com a cabeça. Beijei a cabeça da pequena Darcy e, instintivamente, beijei os lábios do Harry.
Entrei no táxi e muitas coisas me passaram pela cabeça, nada parecia muito certo.
- Para onde vamos?
- Conhece a La Movida? – Disse, sem pensar.
- Claro – Respondeu o taxista.
Quinze minutos depois, estava à frente da discoteca, percebi porque é que o taxista não teve problemas em chegar ao local, estava cheio, com certeza era popular. 
Não sabia se iria encontrar o Rafael aqui, mas decidi entrar.
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Capítulo 10 
Listen to your heart

Quando finalmente cheguei ao balcão do bar, vi que não teria dificuldade nenhuma em encontrar o Rafael. Ele estava ali, do outro lado do balcão.
- Jessica – Disse, assim que me viu – Finalmente passas-te por cá para te poder pagar uma bebida?
- Sim. Safari  se não for pedir demais – Sorri
- Claro que não – Disse – Não te queres sentar? Vai para onde quiseres que já te encontro.
Encontrar um lugar livre para me sentar não foi uma tarefa fácil, mas encontrei mesmo antes do Rafa aparecer com a minha bebida.
- Então, o que te trás aqui? Ou vies-te aqui só para te pagar uma bebida? – Disse o Rafa, a rir-se.
- Apenas preciso de uma boa conversa.
- Bem, eu tenho um curso de psicologia abandonado, por isso podes desabafar.
- E porque achas que tenho algo para desabafar?
- Porque não páras de tocar no teu dedo anelar, onde provavelmente tinhas um anel..
- Tu és bom – Disse surpresa, eu era assim tão fácil de ler?
- Acredita, não és fácil de ler, mas eu presto muita atenção aos pequenos detalhes.
- Bem – Hesitei – o meu noivo andava estranho e distante há meses, então decidi cancelar o casamento quatro meses antes da data e voltar para Portugal, foi aí que nos conhecemos – Lembrei-o – E hoje ele disse-me que aquele afastamento foi causado por uma criança, que ele próprio não conhecia à três meses atrás, apesar da criança já ter uns quatro anos, ele quer que eu simplesmente aceite a filha dele com outra como se isso fosse fácil.
- Essa história toda é mesmo muito interessante – Disse, como se estivesse a analisar-me – Mas a única pergunta que importa é : o teu amor por ele é grande o suficiente para tudo isto não ter nenhuma consequência?
- Eu não sei.. – Disse pensativa.
- Não és tu que tens de saber, é o teu coração, escuta-o.
Abaixei o olhar, como se estivesse à procura de alguma resposta.
- Não vai ser de uma hora para a outra, precisas de tempo e ouvir com atenção, mas quando escutares, não teras dúvidas.
- Obrigada Rafa – Sorri.
- De nada, Jessica, quando precisares.. Bem, eu queria ficar aqui a conversar mas a estas horas o movimento começa a aumentar, tenho de ir – Ele despediu-se – Prometes que vais voltar?
- Claro que volto – Sorri.
No dia seguinte, chamei a Ana e contei-lhe a ela e aos meus pais tudo o que tinha acontecido.
- E o que vais fazer? – Perguntou a minha mãe.
- Ouvir o meu coração, acho . Quer dizer, parece ser o melhor a se fazer – Disse insegura.
- Seja lá qual for a tua decisão, estamos do teu lado – Disse a Ana, que acabou por me confortar.
- Eu só preciso de tempo para organizar as minhas ideias – Esperava estar a fazer a coisa mais acertada para mim.


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Capítulo 11 
Everything I ask for

[ Harry ]
(dois dias depois)

Eu sabia que tinha falhado com a Jessica mais vezes do que suportava admitir, mas estava a tentar fazer a coisa mais acertada desta vez
Simplesmente não podia abandonar a Darcy, que era minha filha, mas também não poderia viver sem a Jessica. Esperava que a contar toda a verdade, ela não me faria ter de escolher entre as duas e viveríamos felizes. Eu sei que é uma responsabilidade imensa cuidar de uma criança de quatro anos, mas a Darcy era incrível.  A Jessica só precisava de algum tempo para perceber isso.
- Vamos dar um volta, Darcy?
- Sim, pai – Sempre que ela me chamava de pai eu tinha a certeza que não ficaria longe dela nem por mais um minuto.
Fomos até a um zoo, e a pequena Darcy não parava de sorrir e apontar para os animais. Uma hora depois, ela estava exausta e eu carregava-a nos meus braços. Chegamos ao quarto de hotel, e ela já dormia com a cabeça no meu ombro. Assim que entrámos, a Viviana estava sentada na minha cama
- Harry – Disse a Viviana a  sorrir, enquanto mechia no seu cabelo.
- O que fazes aqui? – Deitei a Darcy na cama e encarei-a.
- Harry, querido – Ela passou a mão pelo meu peito – Eu vim ver o meu futuro-marido e a minha filha.
- Viviana, primeiro, eu não sou o teu futuro-marido, estou feliz com a mulher que estou e não tenciono deixá-la. Segundo, no que depender de mim, tu nunca mais terás a guarda da Darcy, então deixa-nos em paz.
- Eu estava a pensar que talvez nós pudéssemos resolver isto, e sermos uma família. – Tudo nela parecia tão falso, principalmente o seu sorriso – Quer dizer, aquela tua namoradinha não vai olhar para ti certo? Depois de saber que tens uma filha com uma stripper, de certeza que não.
- Tiras as coisas do contexto mais rápido do que tiras a roupa, Viviana – Eu não acreditava no que ela estava para ali a dizer – Vai-te embora – Eu só queria aquela mulher longe da minha filha, e da minha vida – Não tens um cruzeiro para embarcar?
- Eu posso ficar, se quiseres..
- Não, não quero – Abri a porta do quarto – Agora se não te importas, saí.
- És um idiota, Harry – Ela abriu a sua bolsa e tirou de lá um envelope – Pronto, ela é tua. Eu tenho a certeza que quando estiveres sosinho, sem ajuda de ninguém, vais-te arrepender disto – Ela estendeu-me o envelope e depois saíu.
Sentei-me na cama, a ouvir o ressonar da minha filha, não consegui não sorrir.
Abri o envelope e segurei-me para não gritar. A Viviana tinha acabado de abrir a mão da guarda da Darcy e finalmente eu já podia voltar para Londres, voltar para a minha vida.


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Capítulo 12
 Untangle me

Harry mandou-me uma SMS, a perguntar se podíamos jantar e eu estava resolvida a dizer-lhe tudo o que eu tinha decidido. Vesti-me e fui ter com ele ao hotel. Cheguei ao quarto dele e ele estava a vestir um pijama à Darcy.
- Loira – Sorriu. Pegou na filha ao colo e veio até mim. Beijou-me demoradamente na bochecha e a Darcy fez o mesmo.
- A Darcy não vai connosco?
- Ai, estou atrasada, desculpem – A Ana tinha acabado de surgir de traz de mim.
- Pensei que hoje seria melhor só nós dois  sosinhos, para resolvermos tudo, então a Ana aceitou tomar conta da Darcy por algum tempo.
Finalmente tínhamos chegado ao restaurante, no caminho todo fiquei a rever o que queria dizer.
- Jessica – Disse o Harry, que acabou por quebrar o silêncio entre nós. – Eu sei que deveria ter-te contado o que aconteceu com a Viviana, sei que não é fácil o que eu te estou a pedir, mas o que achas da ideia? De voltar para a nossa casa, ter a nossa família. Vamos fazer com que tudo desta vez corra bem.
- Eu podia mentir, dizer que o eu sinto por ti não é forte o suficiente para ir até ao inferno e voltar, mas por mais que te ame, eu sou um ser humano, tenho limites.  – Atropelava-me nas minhas próprias palavras. O Harry continuava-me a ouvir, mesmo que eu estivesse disposta a quebrar o seu coração. – O facto é que eu não planeava tudo isto, a tua filha, tu a quereres que eu seja mãe de uma criança de quatro anos que acabei de conhecer, percebes? 
- Claro – Harry baixou o olhar.
- Eu demorei tanto tempo para acreditar que o nosso relacionamento era verdadeiro.
- E eu traí a tua confiança.
- Exactamente. E sabes o que mais me deixa chateada? É que tu passas-te por isto sosinho, quando eu poderia estar do teu lado a apoiar-te.
 - Eu pensava que assim iria ser pior, eu só tentei preservar-te de tudo.
- E sabes o que é pior do que isto tudo? É que eu tentei odiar-te, mas não consigo. Simplesmente não consigo imaginar como seria deixar-te.
- Isso quer dizer que vais voltar para Londres comigo? – O olhar dele iluminou-se, mas ainda assim ele não sorria, receoso do que eu poderia dizer.
- Sim – Sorri – Só se tu prometeres não esconderes mais nada de mim.
- Nunca mais – Ele sorriu e retirou do bolso o meu anel de noivado – Então, não te importas de voltar a usar isto?
- Claro que não me importo – Sorri e ele pôs o anel no seu lugar adequado e beijou a minha mão.
- Então não precisamos de cancelar o casamento?
- Não, não precisamos – Sorri.
Eu não sei descrever a sensação que me invadia naquele momento, era uma mistura de felicidade com nervosismo e receio de estar a fazer a escolha errada, mas era o Harry, e eu estava disposta a tentar fazer tudo por ele. Quer dizer, o que mais poderia dar errado? 


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Capítulo 13
Pregnancy

Estava a olhar pela janela do carro, sentada no banco de trás com a Darcy adormecida no meu colo.  O Liam estava no banco da frente enquanto o Harry conduzia, eles conversavam, mas eu não prestava atenção. Olhava para Londres como se nada tivesse acontecido nestas últimas semanas, como se tivesse sido um grande sonho estranho e finalmente eu tinha acordado.
O carro parou em frente à casa do Liam. Harry saíu do carro.
- Estou feliz por estares de volta Loira – Disse o Liam.
- É bom estar de volta – Sorri. Ouvi o Liam a dizer ao Harry para não estragar tudo desta vez, e o Harry riu-se.

Já estávamos de volta há uma semana e confesso que estava-me a divertir bastante a comprar coisas com a Darcy. O quarto dela já estava completo e o armário cheio de roupas novas. Ela era muito engraçada e nós os três passávamos bastante tempo juntos. Óbvio que eu ainda não ocupava o lugar de mãe na vida dela e nem ansiava pelo mesmo, mas tinha tomado uma decisão e a Darcy não tinha culpa de nada.
Ainda não tinha visto os outros rapazes, nem a Daniela, e o Harry achou uma boa ideia fazer algo em nossa casa para que eles pudessem conhecer a Darcy. Eu estava tranquila, apesar de faltar apenas dois meses e duas semanas para o nosso casamento. A melhor coordenadora de casamentos do Dubai tinha sido contratada para tratar de tudo, e eu não estava preocupada.
- Tenho de ir experimentar o vestido e depois volto para preparar as coisas..
- Combinado, eu também tenho de ir comprar um vestido para a Darcy. Se precisares de alguma coisa, avisa-me.
Liguei para a Daniela, não falava com ela desde que fui para Portugal, semanas atrás. Nós encontraríamo-nos na costureira, porque ela estava longe de casa.
- Tu deves ser a Darcy – Disse a Daniela. – Loira – Ela abraçou-me – Estás bem?
- Sim..
- Olha eu não fazia ideia do que se estava a passar, o Louis só me contou sobre a Darcy quando foste embora.
- Ok Daniela, já passou.. – Sorri. – Bem, vou experimentar o vestido.
Eu podia ouvir as duas a conversar enquanto eu vestia o vestido. Alguns minutos depois, já estava vestida e pronta para sair do provador e ir-me ver ao espelho. Voltei para onde elas estavam e virei-me para os espelhos. Depois de ficar a admirar-me, virei-me de frente para as duas.
- O que acham?
- Estás linda – A Daniela tinha lágrimas nos olhos, o que me fez sorrir.
- E tu, o que achas Darcy? – Pisquei o olho para ela, que afirmou que sim com a cabeça.
- Estás fabulosa – Disse a Daniela.
- Já tinha mandado ajustarem a cintura, achas que ficou bem?
- Claro que sim, está óptimo assim.
- Ainda bem. Não poderia estar mais feliz.
- Estás diferente, cheia de alegria, muito bem. Espera aí – Ela levou as mãos à boca – Tu estás grávida não estás? Dizem que as mulheres ficam assim quando estão grávidas.
- Daniela, eu não estou grávida – Disse a rir-me.
- Tens a certeza?
- É, é bom ter a certeza – Disse a costureira que verificava os ajustes – Porque ele está no tamanho certo, mas se ganhares mais barriga, assim não te vai servir.
- Eu não estou grávida, ok? Tenho a certeza – Olhei-a de lado e ri-me da imaginação fértil da Daniela.
- Vou passar por casa para ir buscar o Louis, e logo se seguida vou ter contigo ok? – Disse a Daniela.
Nós abraçamo-nos e ela tinha aquele olhar de quem iria aprontar alguma coisa, típico dela.
Horas depois, descobri que conhecia mesmo a Daniela, e ela de facto tinha aprontado algo. Estávamos na casa de banho, e ela estava a falar pelos cotovelos e eu não entendia nada.
- Então aí, eu pensei, como ela pode ter tanta a certeza que não está grávida? Ninguém além das freiras e mulheres na menopausa têm a absoluta certeza, então passei pela farmácia e comprei dois testes de gravidez – Ela abriu a mala e retirou de lá duas caixas.
- Daniela – Eu ria-me – Isso é tão desnecessário, eu tenho a certeza absoluta que não estou grávida.
- Ah, anda lá, vai ser divertido, eu nunca fiz uma coisa destas antes – Para ela tudo era uma grande brincadeira.
- Também vais fazer? – Perguntei a rir-me. Estava a começar a achar aquilo engraçado.
- Eu comprei este – Ela levantou uma caixa nada discreta cor de rosa – E li que tem 90% de precisão, e depois descobri este – Levantou uma caixa azul – Tem 99,9% de precisão e também o comprei. Tu que és a possível grávida fazes o que tem mais precisão, e eu que sou o teu apoio emocional faço o outro.
- Ok, mas só faço isto para parares com essa paranóia que estou grávida.

Fazer um teste de gravidez é mais fácil nos filmes do que na vida real. Daniela passou pelo mesmo processo que eu e ficámos sentadas, em lados opostos da casa de banho, à espera do resultado.
- Ah, o Taylor ligou e pediu desculpa por qualquer confusão que ele possa ter causado.
- Tens de me lembrar para lhe ligar. Ele não tem com o que se desculpar, não foi culpa dele.
- Loira, vamos verificar os resultados.
- Ok, olhei para o teste – Eu disse, deu negativo.
-Negativo? Eu disse, tu estás grávida.
- Daniela.. – Eu tentava falar, mas ela abraçava-me e dizia-me que conseguia prever estas coisas. – Daniela, negativo quer dizer que não estou grávida. – Quase gritei para que ela pudesse-me ouvir de tão eufórica que estava.
- Não, negativo significa gravidez – Ela pegou na caixa do teste – Positivo... – Ela pegou na caixa do seu teste e atônita, lia as caixas.
- Eu não estou grávida – Disse, mas ela nem me ouvia.
- Tens razão. Este teste só tem 90% de precisão.
- 99,9%
- Estou a falar do meu – Ela mostrou-me o teste dela. Tinha dado positivo.

Capítulo 14
Discovery

[Harry]
(horas antes)

Estava a dirigir até à costureira, quando passei pelo restaurante em que levei a Jessica no nosso primeiro encontro. Nós já tínhamos nos visto dezenas de vezes, mas naquele restaurante foi o primeiro encontro a sério, foi quando eu já me pergutava se estava pronto para o relacionamento com ela, e foi quando, segundo a própria, Jessica já me via totalmente como um rapaz normal e não como um famoso. Fiz a reversa num restaurante italiano, porque sabia que era o tipo favorito dela. Ela até tinha-me dito que era capaz de viver à base de comida italiana para o resto da vida. Depois eu descobri que ela referia-se exactamente a lasanha.
Ria-me no carro, a lembrar-me de como nós éramos jovens e achávamos que éramos invencíveis naquela época. Agora estava pronto para casar com aquela mulher, e passar o resto da vida a comer lasanha se fosse preciso.
O meu fato já estava pronto. Eu perguntava-me se a Loira tinha tanta curiosidade em ver-me de fato como eu tinha em vê-la de vestido de noiva. Eu não fazia a mínima ideia de como era o modelo, ela só me tinha dito que ele era bonito. Nem a subornar a Daniela conseguia qualquer coisa além de ‘deslumbrante’.
Voltei para casa, esperava encontrar a Darcy e a Jessica, mas elas ainda não estavam lá. Comecei a preparar o almoço quando elas chegaram. Logo a casa já estava cheia e eu exibia a Darcy para os rapazes.
- E o que vocês fizeram hoje? – Perguntei à Darcy.
- A Jessica foi experimentar o vestido.
- E como era o vestido?
- É muito bonito, é... – Ela arregalou os olhos e riu-se – Não, a Jessica disse que é surpresa.
- Harry, é melhor desistires – Disse o Liam.
- Uma senhora disse que a Jessica está grávida e nós viemos para casa.
- Grávida ? – Perguntou o Niall
- Hum... grávida? – Coloquei a Darcy no chão.
- Loira – Berrei – Estava a começar a suar e estava ansioso, onde é que ela estava?
- O que foi? – A Jessica e a Daniela surgiram atrás de nós e só de olhar para elas, deu para reparar que alguma coisa se estava a passar.
- Nada, a Darcy estava aqui a contar o que fizeram hoje e disse que, bem, ela disse que estás grávida.
- Ah, isso, foi uma ideia maluca da Daniela, mas não, não estou grávida. Até fizemos um teste. Podes ter 99,9% de certeza que não vais ser pai, outra vez.
- Então porque estão com essas caras? – Perguntou o Louis.

- Bem, parecia engraçado fazer um teste de gravidez, então eu fiz e... há 90% de hipóteses, quer dizer não é um resultado confiável, ou é?
- Amor do que estás a falar? – Louis aproximou-se da Daniela.
- Deu positivo – Disse a Daniela com lágrimas nos olhos – Eu estou com 90% de hipóteses de estar grávida – Ela riu-se e as lágrimas escorreram do seu rosto. Os dois beijaram-se riam-se um para o outro, ignoravam totalmente a nossa presença. Abraçei os dois, dando início a um abraço de grupo. (e também emocional da parte da Daniela, da Loira e do Niall.)



Capítulo 15
Some Days

[Daniela]


Dois meses e duas semanas se passaram desde que eu tinha feito o exame médico que confirmou o que o teste de gravidez tinha dado. Então todos nós estávamos no meio daquele caos emocional, casamento + filha secreta do Harry + a minha gravidez inesperada, mas tudo corria bem. Éramos como uma família gigante, aliás sempre foi assim, éramos generosos o suficiente para abrir os braços para quem quisesse se juntar ao grupo.
- Louis, vou buscar a Darcy e a Loira para irmos ao cabeleireiro, não te esqueças de levar o Harry, ok? – Disse, enquanto amarrava o cabelo.
- Ok – Respondeu-me. Ele ainda estava na cama, a olhar-me com uma cara de sono. Beijei-o levemente e caminhei até ao carro, para ir para a casa da Loira e do Harry.
Foi a Darcy quem me abriu a porta. O Harry estava a cantar em algum lugar no andar de cima, e a Loira estava a correr pela sala.
- Eu não sei onde está o meu telemóvel e não sei o que vou vestir e simplesmente não vou chegar a tempo ao meu próprio casamento.
- Jessica – Disse calma, a segurar-la pelos ombros – Tu deste-me o telemóvel ontem, para que ninguém te incomodasse, lembras-te? – Ela afirmou que sim com a cabeça – E tu vais vestir o teu vestido de noiva, lembras-te? Agora são oito da manhã, então tenho a certeza que vais ficar pronta. Estás pronta para sair?
- Não, eu tenho que falar com o Harry – O rosto dela iluminou-se e ela correu pela escada acima para falar com ele. Loira estava sempre a falar que eu e o Louis éramos chatos, mas era lindo admirar o amor dela e do Harry. A maneira como eles construíram o relacionamento deles, a maneira que o Harry reconstruiu a confiança dela, o modo como eles se olhavam, se tocavam, cada gesto era repleto de amor, de carinho. Sempre que nós saíamos para um bar, reparava que em certos momentos eles ignoravam todos nós e ele sussurava algo no ouvido dela que a fazia rir e eles ficavam entre segredinhos e risadas até que alguém falasse diretamente com algum deles. Pode parecer uma parvoice, mas eu sempre quis saber o que ele lhe dizia que a fazia sorrir tanto.
O Harry e Jessica estavam de volta e estavam a fazer exactamente o que eu estava a pensar, ele estava a sussurar ao ouvido dela, e ela apenas se ria.
- Sabem desde o primeiro dia que nós saímos juntos eu quis saber o que tu lhe dizes – Disse, apontando com o dedo para os dois.
- É segredo – Respondeu o Harry e a Loira sorriu.
- Bem, vamos, tenho de ficar pronta para um casamento – Disse. Peguei numa malinha da Darcy e caminhei para a porta – Vamos, Darcy.
- Chau pai – Ela abraçou-se às pernas do Harry e de seguida ele levantou-a e deu-lhe um beijo na bochecha. Ela correu até mim e dirigimo-nos ao carro, seguidas pela Jessica.
- Agora tens é de relaxar, Loira – Disse, enquanto entrava no estacionamento do cabeleireiro.
- Eu estou a tentar ter calma.
- A sério, relaxa, no meu casamento eu estava quase perto de explodir de nervosismo, e a prima do Louis disse-me que no casamento dela, ela tinha ficado tão stressada que na noite de núpcias ela mal se deitou na cama, adormeceu de tão esgotada que estava. Tu não queres que te acontecessa o mesmo, ou queres?
- Não. – Eu podia ver o desespero nos olhos dela enquanto caminhávamos até ao edifício.
Entramos no cabeleireiro e fomos logo encaminhadas para umas cadeiras enquanto esperávamos a nossa vez de sermos atendidas.
Assim que íamos ser atendidas, uma mulher de cabelos loiros aos caracóis, entrou, Darcy saiu desparada na direcção daquela mulher e chamou-a de mãe.

- Darcy? O que estás aqui a fazer? – Ela afastou a criança e olhou para nós. – Hum, já percebi, bem isto é muito constragedor – Viviana tinha um sorriso mais falso que as suas lentes de contacto azuis – Nunca fomos apresentadas, mas eu sou a Viviana, a mãe da Darcy – Ela acrescentou como se não soubéssemos que tudo o que acontecera entre ela e Harry, não passara de uma noite regada a litros de álcool.
- Tu não deverias estar num navio bem longe da costa? – Disse, já que a Jessica, estava atônita, a olhar para a Viviana como se ela tivesse uma doença altamente transmissível.
- Pois é, mas eu tive um fim de semana de folga, o navio está atracado e uma amiga minha conseguiu um pequeno trabalho para mim numa despedida de solteiro aqui perto. – Assim que ela terminou a frase, tudo se encaixou. A despedida do Harry tinha sido na noite anterior, a presença dela aqui não era uma coincidência, ela sabia que estaríamos aqui hoje.
- Que bom para ti – Usei todas as minhas habilidades de atriz e tentei ser o mais sincera que pude, mas aquela mulher estava-me a tirar do sério – Vamos indo Loira?
- Ok – A voz da Jessica saiu falhada – Anda Darcy – Ela pegou na Darcy ao colo, que não ofereceu nenhuma resistência em deixar a mãe.
- Eu não acredito nisto, o que ela está a fazer aqui? No dia do meu casamento. Eu quero matar aquela desgraçada. Porque é que o Harry não me disse que a tinha contratado para a despedida dele? Eu quero é que os dois desapareçam da minha vida – A Jessica já não estava bem, nunca a tinha visto tão enervada como naquele momento. Desta vez ela tinha razões para estar assim.
- Jessica, tem calma, lembra-te da noite de núpcias – Disse, a olhar para a Darcy, que estava alheia a tudo o que ocorria.
- Noite de núpcias? O Harry vai ter é muita sorte se alguma dia eu voltar a olhar para a cara dele novamente.
- De certeza que há uma explicação para tudo isto, não precisas de ficar tão stressada, deixa-me ligar para o Louis e descobrir tudo o que aconteceu ontem à noite ok?
- Tanto faz.
- Vou ligar para o Louis e tu vê se vais arranjar o cabelo e as unhas. Já volto.


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Capítulo 16
 Don’t give up on us

[Harry]


- Louis, o teu telemóvel está a tocar. – Liam atirou o telemóvel do Louis ao mesmo.
- Sim? – Ele atendeu, com a boca ainda com comida – É para ti – Ele estendeu-me o telemóvel.
- E a regra de nada de telemóvel hoje? – Protestou o Niall.
- Parece que é sério, é a Daniela – Disse o Louis. Acho incrível como ele parecia ter medo da Daniela às vezes.
- Hum, ok – Peguei no telemóvel – Sim?
- Harry Edward Styles, o que é que vocês fizeram ontem à noite? – Ok, a Daniela às vezes poderia ser bastante assustadora quando estava irritada, mas porque é que ela estava assim?
- A minha despedida de solteiro.
- Até aí já tinha percebido, mas mais precisamente o quê?
- Bebemos bastante, jogamos pôker, comemos quase um cabrito inteiro, o Louis fez um discurso em cima de uma mesa, levei um banho de cerveja, fomos para uma discoteca, depois fomos expulsos de lá e voltamos para as nossas respectivas casas.
- E onde entram as strippers nessa história toda?
- Strippers?
- Tu sabes, aquelas mulheres que tiram a roupa por dinheiro. Quantas estavam na tua despedida?
- Bem...
- Desembucha Harry, eu sei de tudo.
- Como é que tu sabes? Nós prometemos deixar isso só entre nós. Foi o Louis? - Olhei para ele.
- Então tu achas que iam conseguir esconder isso? Tu não prometes-te à Loira que nunca mais ias mentir? É assim que tu a tratas? A mentir para a pobre coitada no dia do vosso casamento?
- Eu acho que ela não se vai importar, Daniela...
- Como é que é? Achas que ela não se vai importar? Pois bem, ela importa-se e muito !
- Mas porquê? Não é como se eu a tivesse traído ou algo assim.
- O teu casamento vai acabar antes mesmo de começar. É bom que saibas que a tua stripper está aqui no cabeleireiro.
- A Viviana? A Viviana está aí?
- Pois é, achas que ela iria desaparecer depois de saber que vais casar hoje?
- Espera aí, deixa-me ver se entendi, a Viviana está aí e contou-vos que estava na minha despedida de solteiro ontem à noite?
- Sim... quer dizer, ela não usou todas as letras.
- Onde está a Darcy?
- Está com a Jessica.
- Daniela, eu vou já para aí, por favor, não saiam daí, eu posso explicar tudo, mas tenho que ter a certeza que a Jessica e a Darcy estão bem. – Desliguei o telemóvel e virei-me para o Louis – A Viviana está no cabeleireiro e ela disse que..
- Nós ouvimos – Disse o Liam – Anda, eu levo-te lá.


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Capítulo 17
I’m sorry

Daniela tinha-me convencido de que ao menos deveria aproveitar o que o cabeleireiro tinha para oferecer, já que já estava tudo pago.
Estávam a pintar-me as unhas quando o Harry e o Liam apareceram.
- Prestem atenção, a stripper na minha despedida era o Zayn numa lingerie e ele fez-me prometer que não contaríamos nada a ninguém. Não estava lá nem a Viviana nem mais nenhuma mulher – Acrescentou num tom mais baixo – Vocês achavam mesmo que eu ia fazer isso? Outra vez? Na véspera do meu casamento? Eu pedi para verificarem, houve outra despedida aqui perto, então vamos esquecer isso ok? Temos um casamento para celebrar hoje – Sorriu daquela maneira que me fazia derreter como sempre.
- Desculpa – Eu tentava não chorar – Estou tão stressada, parece que tudo vai correr mal hoje, eu não sei como estão as coisas, se as flores já chegaram, se o buffett está preparado, se foram buscar os meus pais e a Ana ao aeroporto...
- Está tudo bem amor – Harry aproximou-se e abraçou-me.
- Eu só quero que tudo corra bem.
- Amo-te – Susurrou-me ao ouvido.
- Obrigada por seres tão incrível – Disse.
- Bem, eu adoraria ficar e fazer uma manicure – Disse o Liam – Mas tenho de estar presente num casamento, então se vocês não se importam, tenho de me ir preparar.
- Vejo-te no altar? – Perguntou-me o Harry.
- Sim, sabes? Eu vou estar de branco.
- E eu de preto – Ele piscou-me o olho e saíu com o Liam.
- Tudo resolvido? – Perguntou a Daniela e eu abraçei-a.
- Obrigada por ficares sempre do meu lado.
- É para isso que servem as melhores amigas não é? – Ela sorriu.
Mal acabamos de arranjarmo-nos no cabeleireiro dirijimo-mos para casa, para vestirmo-nos.
- Ok, acho que vou vomitar..
- Loira, aqui a grávida enjoada sou eu, só tens que relaxar.
- Eu vou-me casar em – Olhei para o relógio na parede do quarto – Quer dizer, eu já deveria estar-me a casar.
- Ok, não tem mal, a noiva atrasa-se sempre alguns minutos.
- Daniela, o teu telemóvel está a tocar – A Ana tinha chegado algumas horas antes, juntamente com os meus pais e mais alguns amigos de Portugal, como ela também iria ser madrinha, estava a vestir-se connosco.
- Ah, é o Louis – Disse empolgada – Estou? Não, é claro que não fugimos ! Estamos em casa, acabar de vestir a Jessica, estamos aí em 15 minutos.
- O que ele queria? Está tudo bem? – Mal esperei ela desligar o telemóvel.
- Ele só queria ter a certeza que nós estávamos bem. Pronta?
- Sim.
- Ok, hora de casar então – Disse a Ana.


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Capítulo 18
Last Chapter

[Harry]



No momento em que a marcha nupcial começou a tocar, vi-a, e entendi porque ninguém tinha-me dito como é que era o vestido. Palavras eram insuficientes para descrever a beleza dela naquele momento. Assim que ela olhou para mim e sorriu, eu tive a certeza de que era o homem mais sortudo do mundo. E ela seria minha para sempre.

- E chamo para dançar pela primeira vez como marido e mulher, a Jessica e o Harry – Disse o Niall, e eu peguei-a pela mão. Timidamente nós começamos a dançar. Eu não conseguia evitar e cantava a musica ao ouvido dela, que dava as suas risadas habituais.
Ela era minha e não havia mais nada que eu poderia querer naquele momento. Fiz-la rodopiar, e agarreia nos meus braços e ela aproximou os seus lábios dos meus.
- Gostas-te do vestido? – Susurrou.
- Lindo...
- Mas...?
- Eu vou gostar mais quando o tirar – Susurrei e ela gargalhou.
A música acabou e fomos-nos sentar com os nossos amigos e com a Darcy.
- Eu estava-me a lembrar de como vocês se conheceram – Disse o Louis – Naquela noite em que tive de dividar uma cama com o Niall.
- Aquela noite – Disse a Loira a rir-se – Não me lembro de muitas coisas, mas tenho a certeza que foi incrível.
- Eu sei que parece estranho, mas sempre que me lembro daquela noite, tenho mais a certeza que foi naquele dia que decidi que tu serias a minha mulher.

[FlashBack – 3 anos antes]


- Então és nossa fã, ou vies-te ver os The Wanted?

- Por acaso gosto bastante das duas bandas.
- E qual de nós é o teu favorito?
- Harry, eu já sou um bocado grandinha para ter um favorito não achas? Aliás, a última vez que tive um favorito foi o Joe Jonas.
- A sério? Eu gostava mais do Nick.
Ficaram em silêncio, ela encarava o copo, cheio com uma bebida alcoolica nas mãos, com um sorriso parvo no rosto, enquanto ele procurava os olhos dela.
- Como te chamas? – Perguntou o Harry só para fazê-la olhar para ele.
- Jessica... Loira para os amigos.
- Bem Loira, eu tenho que ir... queres-me acompanhar?
- Não vai dar Harry, mas podes chamar aquelas raparigas ali – Ela apontou para umas raparigas com saias minúsculas que cercavam o Nathan e comiam o Harry à distância com os olhos.
- Ah, não – Ele levou a mão à testa – Não, não é isso – Harry colocou as mãos nos ombros dela – Desculpa se passei essa ideia, eu só gostava de continuar a conversa, só isso, juro.
Ela olhou nos seus olhos, e algo a dizia que ele estava a ser sincero. Sorriu e mesmo que ele não estivesse a ser sincero, que mal faria uma noite com o Harry Styles?
- Ok, mas só porque eu preciso de ir à casa de banho.

Duas horas depois, no quarto do Harry e do Louis :



- Então tu pensas em casar ou a vida na estrada com uma mulher em cada cidade é mais empolgante?
- A vida de uma famoso não é assim tão glamorosa. Quando a mulher certa aparecer, é com ela que quero ficar.
- E onde é que ela está?
- Não faço a mínima ideia. Talvez por aí.. Até podes ser tu..
- Isso é uma proposta? – Ela piscou o olho, a brincar.
- Só se tu aceitares...
- Pergunta direito, Harry !
- Ok, ok – Ele tentou ficar sério – Tu, Jessica...?
- Martins.
- Jessica Martins, aceitas casar comigo?
- Sim. Não que eu vá me lembrar disto amanhã – Ela riu-se.
- Não foi muito bem pensado misturar bebidas não achas? Enfim, eu nos declaro marido e mulher – Ele fez um brinde com uma garrafa de champagne.
- Pode beijar a noiva – Ela disse e ele assim o fez.
Realmente nenhum dos dois se lembrou daquela conversa na manhã seguinte, mas tudo foi tão incrível que continuaram juntos. 
Como se a vida dos dois fosse um livro em que tudo já estava escrito.


FIM


19 comentários:

Daniela Ribeiro disse...

q bonito *-*

Jessica Martins disse...

é mesmo *-* xd

Daniela Ribeiro disse...

*-* festa de fics

Anónimo disse...

e a apresentação das personagens ? ;s

Jessica Martins disse...

eu já fiz a apresentação das personagens*
está aqui : http://onedirectionptdj.blogspot.pt/2012/06/new-fic.html

Anónimo disse...

Quando pões o próximo capitulo? estou ansiosa por ler mais.

Jessica Martins disse...

meto hoje à noite (:

Anónimo disse...

obrigada

Anónimo disse...

Adoro!
Quando é que vais colocar o próximo?

Sara (Originalmente Awesome) disse...

AMO!! A história está linda :D please, tens que por o próximo capítulo o mais rápido possível!

Kiss ;)

Anónimo disse...

Por favor, próximo capitulo!

Anónimo disse...

Quando poes o proximo capitulo?

Anónimo disse...

Continuee está muito bom!

Anónimo disse...

Ansiosa pelo próximo!

Sara (Originalmente Awesome) disse...

estou a adorar a história, please tens mesmo que postar mais!!

kiss

Anónimo disse...

Põe o proximo capítulo rápido pf.
Adoro a tua fic.

Anónimo disse...

Adorei, estou ansiosa pelo próximo.

Anónimo disse...

Mais um capítulo absolutamente fantástico, estou ansiosa pelo próximo.

Anónimo disse...

Adorei.